quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Avaliação docente: todos de olho no professor

Para que a prática ajude a ensinar melhor, é preciso desenvolver um sistema que vá além da aplicação de provas



VISÃO GLOBAL A avaliação docente precisa
incluir múltiplos olhares para ser efetiva

Avaliar, avaliar, avaliar. De alguns anos para cá, a prática tem se tornado um tema recorrente no mundo da Educação. Países criam complexos sistemas de medição, juntas de especialistas estabelecem padrões e faixas de desempenho, organismos internacionais desenvolvem testes para comparar resultados em todo o mundo. No Brasil, uma das novidades foi a instituição de um Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente. Previsto para ser aplicado a partir de 2011, vai medir os conhecimentos dos que querem se dedicar ao Magistério. O atrativo é grande: municípios e estados podem aderir à iniciativa, considerando-a um componente da nota dos concursos ou mesmo substituta dela.

A ideia é interessante. No início da docência, a avaliação é fundamental para verificar se o candidato cumpre os requisitos de entrada na profissão. Durante a carreira, ajuda a indicar o que está bom e, principalmente, o que deve ser aperfeiçoado. Mas não basta aplicar uma prova e achar que o problema está resolvido. Se desejamos que o processo ajude o docente a ensinar melhor, é preciso dar um passo atrás e perguntar: o que é mesmo que estamos avaliando?

A resposta requer reflexão sobre o que significa ser um bom professor. É aquele cujos alunos só tiram dez? O que tem uma formação recheada de cursos? Quem se dá bem com colegas e funcionários? Ou tudo isso junto (e muito mais)? Para produzir os Referenciais para o Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente, o Ministério da Educação (MEC) compilou pesquisas de padrões docentes em sete países. Chegou a uma lista com 20 características do perfil do professor ideal (conheça algumas delas no quadro da página seguinte).

Além da constatação de que exercer o Magistério não é nada fácil, percebe-se que muitos aspectos não podem ser aferidos por provas. Como elaborar uma questão para certificar se o profissional "estabelece um clima favorável à aprendizagem?". Ou se demonstra "valores, atitudes e comportamentos positivos?". Os especialistas na área (e o próprio MEC, faça-se justiça) reconhecem essa impossibilidade. Ao realizar uma sondagem comparativa sobre a avaliação de professores em diversas nações, a uruguaia Denise Vaillant, coordenadora do Programa de Desenvolvimento Profissional Docente na América Latina e Caribe (Preal), concluiu que os sistemas de sucesso apostam na combinação de múltiplas estratégias, como a avaliação pelos pares e pelos gestores das escolas e a autoavaliação. As provas são apenas uma parte do cardápio - e, muitas vezes, não a mais importante.

No Brasil, ainda precisamos construir essa estrutura de avaliação múltipla. A esperança é de que a prova seja apenas o primeiro tijolo, ao qual se somem outros tipos de aferição. Para chegar lá, uma primeira providência é apostar na formação de bons avaliadores. Aqui, os programas de formação têm um papel importante, já que o assunto costuma ser pouco contemplado tanto nos currículos de graduação como na formação em serviço. Esse conhecimento é a base de sistemas como o australiano, em que cada ciclo de avaliação dura dois anos e compreende planejamento (para definir o foco do trabalho), coleta de dados (para aferir a qualidade do ensino e projetar objetivos de evolução, que variam de acordo com o nível do desenvolvimento profissional de cada um, dos principiantes aos mais experientes) e acompanhamento (para avaliar o auxílio oferecido e o avanço na obtenção das metas).

Um segundo passo é estabelecer a participação dos avaliados na definição de critérios e metas. Isso é fundamental para que o corpo docente apoie a avaliação, encarando-a como uma oportunidade pedagógica e não como uma ameaça.

Avaliação docente e plano de carreira devem caminhar juntos

Equacionados o "que" e o "como" avaliar, chega a hora de pensar no que fazer com os resultados da avaliação. É preciso ter atenção especial aos dois extremos do estrato: os educadores que se saem mal e os com performances excelentes. Comecemos pelos que menos se destacam. A constatação óbvia - a de que esses profissionais precisam de ajuda para evoluir - não tem sido acompanhada de atitudes práticas nessa direção. Muitas vezes, se diz que o ideal seria eliminar os piores automaticamente, mas isso está mais para uma medida extrema, não deve ser a primeira atitude.

Novamente, o caso australiano pode servir de base. Por lá, docentes com desempenho ruim têm a chance de passar por um plano de melhora, elaborado com o coordenador ou o diretor da escola. Durante um ano, o educador recebe o auxílio de um mentor (geralmente, um colega com ótimos resultados), incorporando conhecimentos e aprendendo novas práticas de ensino. Se mesmo após esse período persistir a baixa qualidade, aí, sim, ele deixa de lecionar - mas raramente abandona a escola: pode, por exemplo, passar a exercer funções administrativas na instituição.

Também é preciso considerar o topo da pirâmide. Nesse ponto, fica claro que a boa avaliação docente precisa caminhar de braços dados com a estruturação de um plano de carreira no Magistério. No Brasil, a progressão é burocrática, derivada quase exclusivamente do tempo de serviço ou da titulação - e, pior, estimula a fuga da sala de aula. Para muitos, virar coordenador ou diretor é o único caminho para um salário mais alto. Icentivar professores a assumir mais responsabilidades nas escolas é uma saída que deu certo em Cingapura, na Inglaterra e em estados brasileiros, como o Ceará, onde docentes de destaque são convidados a trabalhar como formadores de seus pares em metade da carga horária. Esses e outros exemplos mostram que uma avaliação por múltiplos caminhos, que privilegie a formação inicial e continuada, que contemple o diálogo entre todos os envolvidos e que esteja atrelada à evolução na carreira, tem chances mais concretas de fazer a Educação avançar. Já a prova, sozinha...


Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/politicas-publicas/carreira/avaliacao-docente-todos-olho-professor-608078.shtml?page=0

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Novo Enem será realizado em 15 de dezembro

Apenas os estudantes que foram prejudicados com o erro de impressão da prova amarela poderão refazer o exame

O Ministério da Educação (MEC) confirmou, na tarde de hoje, que os estudantes lesados com o erro de impressão do caderno amarelo farão uma nova prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 15 de dezembro. Os estudantes irão refazer a prova do primeiro dia do Enem, que ocorreu entre 6 e 7 de novembro.

De acordo com a assessoria de imprensa do MEC, cerca de 2.800 estudantes irão refazer a prova. Este número representa apenas 0,1% do total dos 3,3 milhões de brasileiros que fizeram o exame no começo deste mês.

A prova será aplicada às 13h, no horário de Brasília. As cidades onde será realizado o exame ainda não foram divulgadas.

Relembre a questão

- 6 de novembro: estudante fazem o primeiro dia do Enem 2010. Candidatos que receberam o caderno de questões amarelo notaram erros de impressão na prova. Algumas dessas provas conseguiram ser substituídas, mas em torno de 2 mil estudantes acabaram sendo prejudicados pelo erro.

- 8 de novembro: o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), professor Joaquim José Soares Neto, órgão responsável pela elaboração do Enem, confirmou que o exame seria reaplicado para os estudantes que se sentiram lesados pelo erro no caderno de questões amarelo.

- 8 de novembro: a juíza Karla de Almeida Miranda Maia, da 7ª Vara Federal do Ceará determina a suspensão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2010. A decisão atendeu a um pedido do MPF (Ministério Público Federal) e vale em todo o país. Segundo a juíza, a intenção de realizar novas provas não resolveriam o problema pois colocaram em desigualdade os candidatos.

- Veja os motivos que levarão a suspensão do Enem 2010

- 11 de novembro: a Procuradoria Regional Federal da 5ª Região, órgão da Advocacia-Geral da União (AGU), protocolou, perante o Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Recife (PE), o pedido de cassação da suspensão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2010.

- 12 de novembro: o presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Recife (PE), derrubou a liminar que havia suspendido o Enem na segunda-feira. A decisão seguiu o argumento da AGU, de que não seria razoável que os cerca de 3,3 milhões de estudantes que realizaram o Enem fossem submetidos a novo exame, quando menos de 2 mil candidatos foram objetivamente prejudicados em razão de erro na impressão de alguns cadernos da prova amarela.

Após a suspensão da liminar, o Inep divulgou o gabarito do Enem 2010.


Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/vestibular-enem/novo-enem-sera-realizado-15-dezembro-610104.shtml

Yes, eu tenho currículo!


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Prazo para revisão do Enem termina hoje

Os estudantes que tiveram problemas no cartão de respostas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) têm até hoje (19) para pedir a correção invertida. Os pedidos podem ser feitos pelo site http://sistemasenem2.inep.gov.br/correcaoprova.

No primeiro dia do exame, a folha em que os estudantes marcam as respostas estava com o cabeçalho das duas provas trocado – a primeira metade das questões era de ciências humanas e o restante, de ciências da natureza, mas na folha de marcação as perguntas estavam identificadas de forma invertida.

O Ministério da Educação informou que alertou os fiscais de sala para que orientassem os alunos a seguirem a ordem numérica. Quem foi mal orientado e trocou a ordem do preenchimento poderá fazer o requerimento para a correção invertida.


Fonte: http://info.abril.com.br/noticias/internet/prazo-para-revisao-do-enem-termina-hoje-19112010-2.shl

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Por que o Enem errou de novo?

Para especialistas, exame sofreu grandes mudanças de forma acelerada, e seus responsáveis não se adequaram a seu gigantismo



Estudantes chegam a local de prova, em São José dos Campos, no segundo dia de realização do Enem 2010 (Lucas Lacaz/Folhapress)


Em 2009, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi reformulado, e o que inicialmente era uma avaliação do que os estudantes aprendiam naquele período escolar se transformou em um atalho para as universidades federais. Neste ano, por exemplo, 59 dessas instituições de ensino superior vão considerar, em alguma medida, a nota obtida pelos estudantes no Enem em seus processos seletivos. A mudança, contudo, foi acelerada demais: na visão de especialistas ouvidos por VEJA, aí estão as sementes dos erros que se sucedem no exame. Em 2009, a prova foi cancelada às vésperas de sua aplicação após ser furtada da gráfica. Um ano depois, dados sigilosos de 12 milhões de inscritos vazaram na internet. Finalmente, no último fim de semana, erros de impressão prejudicaram o desempenho dos estudantes.

"A mudança de conceito do exame foi grande, e realizada em pouco tempo, sem o devido preparo das pessoas envolvidas”, diz Álvaro Chrispino, doutor em educação e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). "A estrutura do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela avaliação, não cresceu na mesma proporção da importância da prova." Para se ter ideia do que fala o professor: quando foi aplicado pela primeira vez, em 1998, o Enem contou com cerca de 157.000 inscrições. Doze anos depois, o número é quase trinta vezes maior: 4,6 milhões de candidatos.

Ernani Pimentel, presidente da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos Públicos (Anpac), corrobora com a avaliação. "Instituições responsáveis pela elaboração e aplicação de qualquer concurso público devem ter experiência comprovada nessas tarefas: isso é fundamental para um concurso bem-sucedido", diz Pimentel. "Os problemas ocorridos no Enem são reflexo da falta de organização e experiência da autarquia responsável pelo exame, o Inep."

Para Maria Helena Guimarães, que presidiu o Inep durante o governo Fernando Henrique Cardoso, o gigantismo do Enem propicia a ocorrência de erros, como a falha de impressão deste ano, e atos ilícitos, como o fruto do exame, no ano passado. Por isso, seria necessário multiplicar o zelo em todas as etapas da prova. “Ela se tornou algo muito valioso, objeto de desejo de muitos”, diz. A especialista prega uma reformulação em várias etapas. A começar pela impressão das provas. "O erro descoberto no sábado, mostrando incompatibilidade entre a numeração das questões dos cadernos de perguntas e de respostas, é de responsabilidade do Inep. É preciso mais rigor na confecção das provas", afirma.

Outro ponto a ser revisto, na visão de Maria Helena, é a estratégia de aplicação da prova, que atualmente é simultânea em todo o território nacional. “O sistema de correção do Enem, baseado na teoria de resposta ao item (TRI), permite que ele seja descentralizado: ou seja, provas diferentes, com o mesmo grau de dificuldade, podem ser aplicadas em datas distintas, sem prejuízo ou benefício aos candidatos.” O sistema é utilizado em avaliações nos Estados Unidos como o SAT, espécie de vestibular americano que ocorre quatro vezes ao ano em cidades e datas distintas. “Hoje, só a China tem um vestibular unificado maior do que o Enem. Esse tipo de estratégia de aplicação única não é solução para o Brasil”, diz.

A descentralização na aplicação poderia fazer do Enem um exame mais seguro. Isso porque, devido a suas dimensões, é impossível aplicar a ele medidas de segurança válidas para outros vestibulares bem-sucedidos, como Fuvest e Unicamp (a cargo da Comvest) e variados concursos a cargo da Cesgranrio.

Em sentido inverso, as etapas de formulação funcionam melhor centralizados, defendem especialistas. É novamente o caso de Fuvest, Unicamp e Cesgranrio. Nessas fundações, todo o processo de elaboração, revisão, digitação, diagramação e impressão dos testes é realizado dentro da própria instituição. “Isso aumenta o comprometimento dos profissionais envolvidos com a integridade do exame", diz Renato Pedrosa, coordenador do processo de seleção da Unicamp. Ao que o especialista em concurso público Ricardo Ferreira acrescenta: "Quanto mais terceirização nessas fases, maiores as chances de erro ou fraude", diz. No caso do Enem, dá-se o seguinte: o Inep formula questões, uma gráfica escolhida por licitação faz a impressão e um terceiro aplica a prova.

A cada erro nos processos do Enem, faz-se ao menos uma vítima: a educação brasileira. "Os erros que temos visto dificultam a aceitação do valor que o Enem merece. A cada novo tropeço, a imagem da prova fica comprometida perante milhões de jovens que se preparam o ano todo para fazê-la", diz Chrispino, da FGV-RJ.


Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/por-que-o-enem-tem-tantos-problemas

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Faltam técnicos no país, diz pesquisa


Técnicos, profissionais qualificados e operadores de produção são os que mais faltam no país


O “apagão de talentos”, tão falado ultimamente pelos profissionais de recursos humanos, vai permanecer.

Essa é a previsão de Elaine Saad, gerente geral na América Latina da consultoria Right Management, responsável por uma pesquisa que apontou os 10 cargos com maior escassez de trabalhadores no Brasil e no mundo.

Técnicos, profissionais qualificados e operadores de produção são os que mais faltam no país. No mundo, são os trabalhadores qualificados, representantes de venda e técnicos. (confira listas na próxima página).

O levantamento, feito com 35.000 empregadores de 36 países, mostrou que o problema é global, porém mais intenso no Brasil e em outros países em desenvolvimento. Dados do estudo mostram que 36% dos entrevistados sentem dificuldade em preencher cargos.

No Brasil esse percentual sobe para 64%. “A situação se agrava em países onde a economia se mostra mais aquecida. Para manter os bons resultados, é preciso de gente boa”, diz Elaine Saad.

Ela ressalta, no entanto, que essa falta de pessoal não se restringe aos jovens prodígios da “geração Y”. “O problema é muito mais grave do que isso. Essa mão-de-obra muito qualificada é realmente disputada, mas estamos percebendo uma escassez de posições básicas para as empresas se desenvolverem nos próximos cinco anos”, afirma.

Elaine considera que o “apagão” se deve à má formação técnica e profissional da maioria dos trabalhadores, que têm mais acesso a educação, mas, nem sempre, o ensino é de qualidade.

Em alguns casos, como de profissionais de TI e engenheiros, o fenômeno existe há mais tempo. Para a especialista, muitos jovens não escolhem as áreas exatas por não haver um retorno financeiro imediato.

“Às vezes, o jovem prefere seguir carreiras na área de administração, economia ou do direito porque quer ficar rico mais rápido. Se for um engenheiro, ele vai demorar mais ou menos 10 anos para ganhar dinheiro”, diz.


O que fazer

Diante desse quadro, as empresas enfrentam o grande desafio de encontrar bons profissionais em meio a uma forte concorrência. Uma possível solução que Elaine Saad sugere é melhorar a gestão da força de trabalho, dando enfoque na performance e em como melhorá-la.

Outro ponto relevante é fazer um diagnóstico da equipe atual, para ter uma ideia real do tipo de profissionais com que a empresa pode contar. “Muitas não conhecem realmente as competências de seus funcionários. Elas crescem de forma acentuada, mas não conhecem seu pessoal e isso dificulta o desenvolvimento do trabalhador”, argumenta.

Movimentar os funcionários internamente também pode ajudar, segundo a consultora, pois é uma forma de aproveitar as pessoas que já estão na empresa de acordo com suas vontades e capacidades.

Por último, é possível buscar profissionais no mercado, com a consciência de que, às vezes, é melhor diminuir um pouco as exigências e treinar o funcionário depois, em vez de esperar tempo demais por alguém perfeito. Após a contratação, o foco do gestor deve ser no treinamento e na retenção desses talentos cada vez mais escassos.

Profissionais que estão mais em falta no Brasil

1) Técnicos

2) Trabalhadores qualificados

3) Operadores de produção

4) Secretários e assistentes pessoais

5) Operários

6) Engenheiros

7) Motoristas

8) Profissionais de contabilidade/finanças

9) Profissionais de TI

10) Representantes de vendas

Profissionais que estão mais em falta no mundo

1) Trabalhadores qualificados

2) Representantes de vendas

3) Técnicos

4) Engenheiros

5) Profissionais de contabilidade/finanças

6) Operadores de produção

7) Secretários e assistentes pessoais

8) Executivos de administração

9) Motoristas

10) Operários


Fonte: http://info.abril.com.br/noticias/carreira/faltam-tecnicos-no-pais-diz-pesquisa-01112010-4.shl

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Estudante pode dispensar fiador para Fies




Alunos de baixa renda, de cursos de licenciatura e bolsistas parciais do ProUni podem pedir financiamento pelo Fies sem a necessidade de apresentar fiadores.

Segundo anunciaram hoje o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da educação, Fernando Haddad, a medida vale para os próximos contratos firmados.

Para substituir a figura do fiador, o governo criou o Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo (Fgeduc), composto por recursos do tesouro nacional e por parte dos títulos transferidos pelo Fies a instituições de ensino que quiserem participar do programa. A adesão é voluntária.

O estudante interessado em aderir ao fundo deve, no momento da inscrição ao programa, optar pela nova modalidade (sem fiador) e verificar se a instituição na qual pretende ingressar também aderiu, o que é feito pelo Sistema Informatizado do Fies (SisFies).

Quem pode aderir:

- estudantes que tenham renda familiar mensal per capita de até um salário mínimo e meio;

- estudantes matriculados em cursos de licenciatura;

- bolsistas parciais do Programa Universidade para Todos (ProUni), que optem por inscrição no Fies no mesmo curso em que são beneficiários da bolsa.

Renegociação

Também foi anunciada hoje pelo governo a possibilidade de renegociação dos contratos antigos e a prorrogação do prazo de quitação.

Segundo a nova regra, estudantes que tenham firmado contrato com o Fies até 14 de janeiro deste ano podem pedir a revisão do prazo total de quitação para até três vezes o período de utilização do financiamento, acrescido de 12 meses.

Para verificar o novo valor da parcela, um simulador estará disponível na página eletrônica do SisFies, a partir de amanhã, informa o MEC.

O pedido de renegociação deve ser feito pelo estudante no SisFies. Em seguida, a solicitação precisa ser formalizado pelo estudante e por seu fiador na agência bancária na qual a operação foi contratada (com a apresentação da documentação exigida) por meio de termo aditivo ao contrato.

Podem renegociar contratos os estudantes que estiverem nas fases de amortização 1 e 2 do financiamento e que paguem prestações de valor superior a R$ 100,00. Tanto os adimplentes quanto os inadimplentes podem pedir o benefício.

Para o cálculo do novo prazo, será deduzido o período de amortização transcorrido até a data da formalização do pedido.

Não há mais um período de inscrições para o Fies. Desde abril deste ano, o estudante pode aderir ao programa a qualquer momento e pedir reembolso das parcelas já pagas naquele semestre.

Outra medida que mudou foi a redução dos juros, de 6,5% para 3,5% ao ano, e o aumento do prazo de amortização. De acordo com o ministério, essas iniciativas resultaram em aumento no número de contratos, de 32 mil firmados em 2009 para 58 mil, entre janeiro e setembro deste ano.


Fonte: http://info.abril.com.br/noticias/carreira/estudante-pode-dispensar-fiador-para-fies-20102010-31.shl