segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Silêncio, por favor

Silêncio, por favor
Os ruídos atrapalham nossa qualidade de vida, acredita o neurocientista Iván Izquierdo. Mais: a profusão de estímulos pode afetar nossas memórias e emocões
texto Tatiana Bandeira | fotos Denise Helfenstein


Para o neurocientista Iván Izquierdo, há ruídos demais no mundo. E, para saber diferenciar no meio da balbúrdia o que faz diferença, só usando o que se aprende desde pequeno: o bom senso. Ou cantar como Balu, o urso que adora aproveitar a vida no filme Mogli: “Eu digo o necessário, somente o necessário. Por isso que nessa vida eu vivo em paz”. Aos 71 anos, o coordenador do Centro de Pesquisas da Memória da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, e hoje pesquisando “basicamente o que faz com que as memórias persistam por mais tempo”, como diz, Izquierdo defende a necessidade de fazer escolhas – para escapar de tanto ruído. E sabe do que fala. Ele é autor do livro Silêncio, por Favor, no qual analisa a sociedade contemporânea e os ruídos – os mais variados possíveis – que atrapalham a qualidade de vida. O médico e pesquisador argentino, radicado no Brasil desde 1973, chama a atenção pela produção nada silenciosa: 630 artigos publicados, a maioria sobre a memória, e 18 livros. O mérito consiste em mesclar ciência e humanismo em boa parte de suas obras. Em uma sala coberta de publicações, ele conta, após desligar um rádio, que usa há dez anos aparelho auditivo. “Mas só em um ouvido”, faz questão de reforçar.

Há ruídos demais no mundo, o senhor admite. Mas de onde eles vêm?
Vêm do excesso de informações com que somos bombardeados, o tempo todo, pelas formas mais diversas, e isso atordoa. Os ruídos não são só auditivos mas também visuais, linguísticos e sensoriais. São os sons indesejáveis, que gostaríamos de ignorar para poder atender aos sinais que nos são importantes. No livro que escrevi, cito que no meio da balbúrdia generalizada queremos ouvir a voz que nos chama. A voz é o sinal. Tome-se como exemplo uma entrevista em que os repórteres se juntam todos a disparar perguntas. Quem vai responder, das inúmeras perguntas feitas, só vai entender uma. O restante atrapalha. Quanto ao excesso de informação, no jornal que se lê diariamente, ocorre o mesmo. É preciso selecionar os sinais em meio ao ruído. Quem lê pede “Silêncio, por favor!”. Se quero extrair informações sobre um filme num site, tenho dados em torno sobre todo o restante do mundo. As que realmente podem ser de interesse são poucas. Isso é ruído e é preciso saber escolher, tirar a mosca da sopa. Afinal, não queremos comer a mosca!

Nascemos fazendo barulho, chorando. O ruído, então, não é parte da dita condicão humana?
Não, esse ruído é diferente, é informação. Não é melodia e, como sorriso, é uma forma de expressão. É como avisar alguém que está na rua e vai cair: por vezes, emitimos ruídos considerados fe ios, gritos, mas é uma maneira que se tem no momento de comunicar.

Como os ruídos e o excesso de informacão podem afetar a memória e as emocões?
A memória, o cérebro, querem gravar informações. O que a gente quer é irrelevante. Se o silêncio compete com o ruído, atrapalha diretamente a formação da memória porque o cérebro “escolhe”, por mecanismos diferentes de me mória, a forma desse processamento. Atrapalham a memorização, a percepção e a sensibilidade, nas suas mais variadas combinações, inclusive prejudicando as memórias guardadas anteriormente. Para dar um passo, preciso me lembrar do passo anterior para que possa ter sentido de direção. E continuar, seguir a vida. Na saúde mental, existe uma situação patológica que é a esquizofrenia, em que não se consegue identificar os sinais em meio aos ruídos – percebe-se tudo como importante. Mas, mediante tratamento, como no caso do cientista John Nash, que teve a vida retratada no filme Uma Mente Brilhante, é possível melhorar, levar a vida – inclusive ganhar um Nobel, como ocorreu com ele. Tratando-se de emoções, podem gerar ansiedade e, se ela for demasiada, causar desespero. Com tratamentos apropriados, entretanto, é possível se ver livre do “ruído que vem de dentro”, causado pela ansiedade.

Como se prevenir?
O cérebro, por meio de um sistema chamado “memória de trabalho”, quando não consegue fazê-lo, registra uma espécie de intoxicação e aí entra um processo de confusão. A principal forma de prevenção é se manter atento, aprender a discriminar informação de ruído.

Em que medida as pausas – por exemplo, parar para tomar um café durante o trabalho – são importantes para manter a mente mais tranquila?
Sempre fazemos pausas. É necessário para a percepção correta do que vivenciamos. É como o ponto final nos textos escritos, que usamos para, depois, seguir, passar para outra linha. A vida está cheia disso, caso contrário não conseguiríamos discriminar as memórias porque a capacidade de armazená-las é saturável.

A ignorância é barulhenta?
É muito barulhenta. Há um tipo de desinformação que tem sua origem no desejo de simplificar, reduzir tudo a uma frase de efeito. De tanto interpretar besteiras, às vezes por descaso, às vezes pelo hábito de não prestar atenção, as pessoas se confundem em meio à ignorância emitida até por gente que não é burra, por pessoas que sabem ler e escrever. Temos certos escritores por aí que se enquadram nessa classificação. Os demagogos e os políticos, com suas falsas promessas não cumpridas, que geram desinformação, são outros.

Como reconhecer em meio à balbúrdia, outro termo usado pelo senhor, quem e o quê, no meio dos ruídos, vale a pena?
Utilizando, novamente o bom senso. Muitos fatores, é verdade, influenciam. Mas o que importa é buscarmos afinidade nos relacionamentos, procurar ler, ouvir as músicas de que se gosta, refletir sobre o que é importante ou pelo menos útil. E sorte.

Há o risco de incorporar os ruídos definitivamente ao cotidiano, deixando de percebê-los?
Apareceu, junto com o ruído, o hábito do ruído, o costume de não saber mais ouvir em silêncio. É preciso prestar atenção na volta. É uma questão de educação coletiva. A imprensa desempenha um papel-chave, noticiando o necessário.

Grita-se para que se possa ser ouvido no meio dos ruídos, como numa festa, ou para se defender, se proteger e proteger os demais. Se fico sabendo de uma roubalheira no governo, por exemplo, posso fazer algo, gritar para defender o bolso do contribuinte.

As pessoas sabem conviver com o silêncio?
Não conheço ninguém. Os monges, talvez. Não sei

LIVROS
Silêncio, por Favor, Iván Izquierdo, Unisinos.

Créditos: http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/076/conversa/conteudo_415767.shtml

Bom, pessoal, esta foi nossa última postagem este ano. No próximo, esperamos novas experiências para os alunos. Aos que se formam, desejo prosperidade e sucesso.

Nosso Blog permanece aberto a toda a comunidade. Um abraço e até mais!

19 comentários:

claitonjeske_ disse...

Celulares, mp's, veículos dentro outros são "armas" de ruídos. Todos os dias somos bombardeados por esses ruídos e a tendência é aumentar. Com o avanço da tecnologia e o aumento das informações, os ruídos se tornaram a base da humanidade. Com esse aumento cada vez mais a humanidade fica mais estressada, atordoada, mas fora de si.
Acabar com os ruídos? Impossível! Temos é que nos acostumar.

claiton jeske 2ºG

RENATA BRITTO disse...

Bom os ruidos fazem parte da nossa vida,qualquer tipo de som que escutamos no dia a dia ,até mesmo nós fizemos ruidos.Mas as pessoas não conseguem viver em silêncio tem até algumas que não conseguem ficar um minuto em silencio,por que gostam de barulho.Acho que o silêncio
as vezes faz falta em nossas vidas, por que precisamos de silêncio para penasr para relaxar.

Bruna disse...

No dia a dia estamos expostos a todo o tipo de poluição sonora talvez seja por isso que as pessoas são tão estressadas e a temporais ao longo do seu dia,mas não é só a poluição por meio do som que nos incomoda tanto há tanto tipos de barulhos que nos deixam mal, não querendo ouvir ninguém nem a própria voz e muitas vezes querendo ficar sozinho.

Rafael Lanzetta P. disse...

O silêncio é essencial para a vida, porque nele obtemos concentração.
Mas não podemos conviver com ele o tempo todo porque a solidão chega em meio ao silêncio e pode trazer problemas como depressão e até complicações psicológicas.
Então vivemos no silêncio quando necessário, mas que tenho algum barulho para não nos sentirmos sozinhos.


RAFAEL LANZETTA P. 3ºC

Felipe Dutra disse...

Realmente devemos saber fazer as coisas com mais calma, para conseguirmos perceber as coisas e saber diferenciar uma coisa da outra.No no nosso trabalho por exemplo, para conseguirmos ter um rendimento e uma ótima execução no que trabalhamos, precisamos fazer intervalos, para descansar a mente e raciocinar melhor.
Ruído é tudo aquilo que nos atrapalha na hora da execução de algo que vamos fazer, que de certa forma nos atrapalha, no tira à atenção.

karina disse...

Um texto muito bom que trata um assunto que afeta a todos mas muitos não dão bola!
umas das coisas mais sensiveis é nossa audiçao e uma das mais afetadas!
é impossivel conviver com tanta poluição sonora,sons altos,gritos,barulhos de motores, é um terror! E o pior,nenhuma solução,acho que a soluçao tem nome?RESPEITO! se as pessoas soubem o significado disso garanto que teriamos que atura som alto na beira da praia,furadeiras do vizinho na parede. E é uma ssunto que não sei muito o que falar,mas é super interessante por que realmente é inasceitavel conviver assim.

karina 2G

leticia machado disse...

O silêncio é importante para a nossa vida,precisamos ter pelo menos um momento do dia para ficarmos em silêncio,para organizarmos nossos pensamentos.Mas infelizmente estamos perdendo esse privilegio,pois acostumamos nossos ouvidos com os diversos ruídos da nossa rotina,isso é ruim porque acaba trazendo sérios problemas para a nossa saúde,é muita poluição sonora.
LETICIA MACHADO 3C

mariza barboza disse...

Vivemos em um mundo onde tudo é muito rápido e que temos que fazer várias coisas ao mesmo tempo e o barulho é inevitável.
Nos acostumamos com o barulho de todos os tipos,que quando está muito silencio achamos que aconteceu alguma coisa.
Mas o silencio as vezes se faz necessário, não só para refletirmos,decansarmos nossa mente,ou até mesmo quando o silencio responde a uma pergunta.

Mariza Barboza 3c

Jaqueline Meireles 2 F disse...

Realmente, vivemos em meio a muitos ruídos, ruídos que fazem muito mal pra nós, mas que por comodismo não tentamos mudar,nem tentamos deixar de escuta-los, apenas convivemos com eles. Mas tenho certeza que quando ficarmos mais velhos não vai ser só a nossa audição que vai dar problema, mas também o cérebro.Pois passamos toda a vida recebendo muitas nformações de uma só vez, pela televisão, pelo rádio, pelo celular, pela internet, pelos gritos, enfim são muitas as coisas que causam ruídos insuportáveis.
Acho que a única saída é aprender a ouvir só oque quisermos.

Jéssica Porto disse...

Há muitas pessoas que não gostam de silêncio,já outras sim.Viver em silêncio é muito dificil hoje em dia,pois tem muito barulho em nossa volta,seja na rua ou no trabalho.O barulho está em todo o lugar e para quem quer silêncio é melhor ir para algum lugar tranquilo e deserto,pois na cidade não terá o sossego de que necessita.
Jéssica Porto 3°C

Bruno jachson mendes disse...

Todos esses ruídos nos prejudicam diáriamente como os celulares e tocadores de mp3 entre outros isso a longo prazo pode
causar surdez , e a principal vitima disso são os jovens , pois passam muito tempo expostos ao som frequentes de seus aparelhos de som , isso foi analisado em um
estudo cientifico , sem falar no caos do transito , então garotada vamos nos controlar .



BRUNO JACHSON MENDES 2°G

will torres 2° g noturno disse...

Nos dias atuais os aparelhos sonoros vem cada vez mais aumentando.
Suas potências cada vez mais fortes e de vários tamanhos.
Mp3, rádios,carros, campainhas e sirenes...
Mas tudos isso será difícil diminuir á sua quantidade.
Ainda mais os seres humanos muitas vezes não conseguem em algumas determinadas horas se concentrar no que estão fazendo.
Por isso não devemos exagerar nesses, excessos de informações que recebemos no nosso.
Para que depois não sofrermos as quantidades
william i.torres2° do noturno

katis disse...

Hoje em dia o mais raro de encontrar é um lugar sem ruídos,eu agradeço por morar perto de campo e ai fica muito fácil de sentar e refletir um pouco.
Conversar com alguém ainda é mais difícil ainda porque sempre tem algum barulho em volta.
Meu medo é de que fique pior mas infelizmente a tendência é esta.

Katiucia Pires 2°f

Rosiane disse...

É sinceramente creio que os ruídos são prejudiciais a nossa saúde mesmo, mas é algo que não podemos evitar pois faz parte do nosso dia-a-dia, quando estamos caminhando nas ruas, e há barulho de buzinas dos veículos pessoas gritando por todos os lados, e até mesmo em qualquer lugar nosso próprio celular toca e emite um ruído enorme.
mas seria bom que todas as pessoas escolhecem um único dia para fugir de toda essa balbúrdia.

Rosiane Santana 2ºF

ALISON disse...

Alison 2f
Geralmente,nós não podemos fugir completamente do barulho,mesmo querendo a gente não conssegue pois vivemos num mundo onde a tecnologia nós perssegue,onde a gente não deixa de escutalá.
A própria televisão,o rádio,o celular e até mesmo a internet são meios de informação que nos causa as vezes um certo incomodo em nosso psicológico,acho que a única maneira de evitar o barulho e convivendo com ele,sendo ouvindo o que quiser.

dariane disse...

DARIANE2F;O silencio para mim e muito essencial pois sem ele não consigo me concentra para fazer as minhas leitura,mas é raro nos chegar em uma sala de aula e termos algum silencio pois temos colegas que vão para escola pra agitar quem consegue entender algo alguma pessoas gritando ou conversando bem alto,e muito difícil pelo menos pra mim pois não consigo me concentra.Adoro o silencio me sinto muito bem consigo fazer todos os meu deveres e entender o que estou estudando.

luciana souza da costa disse...

Não acho que o silêncio seja apenas uma questão de bom senso.
Também é uma questão de respeito.
Mas quem respeita os outros na questão do silêncio?
Não sei de ninguém, até mesmo quando tentamos fazer silêncio não coseguimos.
Afinal quem consegue passar muito tempo em silêncio?Quem consegue ficar sem falar?
Parando pra pensar não iriamos conseguir viver sem o barulho da dia a dia
Luciana da Costa 2°f

Cecília Avenca disse...

Texto excelente!EStamos acabando com nossa qualidade de vida em nome do progresso.
Cecil

Cecília Avenca disse...

Texto excelente!EStamos acabando com nossa qualidade de vida em nome do progresso.
Cecil