segunda-feira, 29 de junho de 2009

Pelo fim da obrigação

Pelo fim da obrigação
Quanto mais o serviço militar voluntário ganha força na Câmara, mais o governo reage

Claudio Dantas Sequeira

LIBERDADE Se a mudança for aprovada, 1,6 milhão de rapazes por ano terão direito de escolha

Nas famílias brasileiras de classe média, quando os filhos completam 18 anos, os pais vivem o drama do alistamento militar obrigatório. Quase todos temem o prejuízo para o estudo ou o trabalho com a interrupção de um ano para prestar o serviço nos quartéis. Nos lares das classes mais baixas, o tormento é o risco de perder o emprego de soldado para os concorrentes - já que a oportunidade é vista como uma das poucas chances de fugir da exclusão do mercado de trabalho. Entre o pesadelo e o sonho, uma certeza: a obrigatoriedade significa para o cidadão um cerceamento à liberdade de escolha, seja para aqueles sem vocação, seja para os jovens que almejam a carreira militar. Vários países - sobretudo no mundo desenvolvido - aboliram a obrigatoriedade (em tempos de paz) e outros encontraram saídas menos impositivas. Mas o Brasil está atrasado. Bastou a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovar a proposta de emenda constitucional que institui o serviço militar facultativo para homens e mulheres de 17 a 45 anos para provocar uma forte reação do governo.

A derrubada do serviço militar na CCJ é significativa e um sinal de que, no plenário, a tese de que se o alistamento for voluntário só atrairia pobres e analfabetos, como argumentam as Forças Armadas e se agarra o Ministério da Defesa, não é forte o suficiente para convencer a sociedade de que a melhor opção é continuar arrancando a vocação à força, todo ano, de 1,6 milhão de rapazes. "Os jovens de hoje buscam uma carreira cada vez mais cedo. Muitas vezes eles querem servir à pátria, não como soldados, mas como engenheiros e médicos", afirma o deputado Efraim Filho (DEM-PB), relator da emenda.

Além da qualidade do contingente, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica temem uma redução abrupta dos efetivos brasileiros. "Hoje, um país forte é aquele que possui um Exército profissional", rebate Efraim.

Jobim e o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, ao traçar a Estratégia Nacional de Defesa, marcham em direção oposta à proposta de Efraim e determinaram "o reforço" do serviço militar obrigatório.

O gabinete de Jobim está trabalhando nas regras que definirão o novo perfil socioeconômico dos militares, dentro do espírito que Mangabeira chama de "nivelador republicano". O objetivo é evitar que os filhos de políticos ou grandes empresários escapem de se alistar, como sempre ocorreu. O que Jobim e Mangabeira ignoram é que para a elite a retomada de uma carreira ou dos estudos é muito mais fácil. Ao contrário da classe média e daqueles jovens mais pobres que - sem conseguir a vaga de recruta - são empurrados para outras atividades. Até para o crime.

Mas a emenda de autoria do deputado Silvinho Peccioli (DEM-SP)não é uma iniciativa isolada. Há pelo menos oito propostas com conteúdo semelhante tramitando no Congresso. Além disso, aguardam decisão do Supremo Tribunal Federal 41 ações contra o atual modelo de recrutamento, a baixa remuneração dos recrutas e os parcos benefícios. Os processos entrariam na pauta no início deste mês, mas acabaram sendo adiados por pressão da caserna. Mesmo quem já serviu defende a liberdade de escolha. "Servi, mas me arrependi. Eu estava no 3º ano do ensino médio quando me alistei e foi muito cansativo. Perdia várias aulas, e meu desempenho caiu", afirma o designer gráfico Márcio Adriano Souza Silva. Embora diga que aprendeu muita coisa no Exército, Silva, 27 anos, não recomenda a experiência ao irmão mais novo. "Meu irmão tem um bom emprego. Não vale a pena largar o trabalho", diz.

Nem todos são iguais
"Para mim, foi uma boa oportunidade"
Alan Alves Lopes, administrador
"Me arrependi. Perdi várias aulas e meu desempenho caiu"
Márcio Adriano Souza Silva, designer gráfico

O mecânico Vanderson Portela, 33 anos, sempre quis servir, mas também concorda que o ideal é o alistamento voluntário. "Quando me alistei, não tinha nem o ensino fundamental completo", diz, refletindo as estatísticas que mostram que apenas 24% dos alistados completaram esse nível educacional.

"Dentro do quartel consegui estudar, aprender uma profissão e viajar para outros países", conta Portela, que acabou ficando nove anos no Exército e chegou a integrar o contingente brasileiro na missão de paz das Nações Unidas em Angola, entre 1995 e 1997. "Mas quem não queria servir acabava dando trabalho e tirando a vaga de quem estava a fim. Acho que seria uma boa se fosse facultativo", comenta.

O administrador Alan Alves Lopes pensa diferente. Vindo de uma família de classe média baixa, ele diz que encontrou no Exército a possibilidade de ter uma profissão e oferecer uma vida melhor para a família.

"Para mim, foi uma boa oportunidade. Me formei e comecei a trabalhar com administração pública, com licitações dentro do Exército", afirma Lopes, que até hoje presta serviço para a caserna. Rafael Wescley, 18 anos, porém, é frontalmente contrário ao serviço obrigatório: "Eu já estou estagiando e ainda estudo à noite. Se tiver que servir, só vou perder."

O estudo "Serviço Militar Obrigatório Versus Serviço Militar Voluntário: O Grande Dilema", dos consultores legislativos Fernando Carlos Wanderley e Sérgio Fernandes Senna, simpático às Forças Armadas, mostra que os países que instituíram o serviço militar voluntário tiveram que elevar salários para atrair os recrutas. Sem dúvida, é um argumento a favor dos militares.

Mas não responde a uma questão básica: pode o País, em tempos de paz, diante dos desafios econômicos do século XXI, dispor de um ano de vida de seus cidadãos de 18 anos e dizer o que é melhor para eles?

Créditos: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2068/pelo-fim-da-obrigacao-quanto-mais-o-servico-militar-voluntario-142593-1.htm

A partir do texto acima, argumentar sobre a obrigatoriedade ou não do serviço militar.

22 comentários:

Jean disse...

Seria melhor para quem tem outros planos o serviço militar facultativo só que eu colocaria com algumas mudanças.
Melhor seria se estipulassem um número de recrutas pelo modo facultativo,caso não alcançassem tal número chamariam aleatoriamente para completar esse número de recrutas.
Acho que a obrigatoriedade deve ser exercida em caso de não haver uma quantidade mínima de inscritos pelo modo facultativo.
Caso prossigam com o modo obrigatório, deveriam primeiramente dar prioridade em quem tem interesse de prestar o serviço militar depois caso haja necessidade de mais jovens a obrigatoriedade entraria em pauta.

Jean Mendes 3ºC

sheilaCoimbra disse...

Sheila 3C
Sou a favor da obrigatoriedade da carreira militar, mas discordo com as "metas" que são usadas para classificação de um futuro soldado.A muita competitividade ate chegar a realmente servir e como no texto acima afirma,muitos que realmente querem acabam ficando de fora,nesse caso acho que esses meninos men se alistariam e por esse lado para a violência que já é alta só aumentaria ainda mais.

Rafael de Lima disse...

Acredito que o melhor para os jovens, atualmente, seria a não obrigatoriedade. Muitos dos jovens com 18 Anos já trabalham, e alguns tiram de seu trabalho o sustento de sua família.
Assim como existe o jovem que não quer servir, existe aquele que gostaria, e o interesse daquele que quer servir acaba sendo proveitoso. Algo que é feito por obrigação, na maioria dos casos, não é bom pois pode não ser feito com vontade suficiente, e quem recebe o serviço pode não ficar totalmente satisfeito. Falando por mim, não gostaria de prestar o serviço militar, pois tenho planos traçados o qual o serviço militar fica fora de cogitação. Se eu tivesse que prestar o serviço, com certeza iria participar com muita boa vontade, mesmo sendo algo fora de meus planos.
Existem muitos jovens que querem participar dos serviços militares, por isso acredito que a não obrigatoriedade seria a maneira mais coerente de seguir os serviços militares.
Se passar a não ser obrigatório o serviço militar, a pergunta que fica no ar é: Será que existe um número de jovens suficiente para a realização do serviço militar?

Rafael de Lima 3ºC

Jéssica Porto disse...

O serviço militar é uma experiência que na minha opinião todo cidadão deve ter,até mesmo porque ajuda o jovem a decidir o que quer fazer no futuro.É claro que se dependesse dos jovens eles não passariam nem perto dos quartéis,mas como são obrigados cumprem à risca com medo de serem presos.
No Brasil se acabasse a obrigatoriedade do serviço militar poucos rapazes se alistariam e iriam faltar recrutas para servir a pátria.O salário não motiva nem um pouco e as jornadas de trabalhos são longas o que acaba ajudando para que os rapazes não queirão servir ao seu país.Acho que deve continuar como está e quem não quiser fazer carreira militar não faça,mas pelo menos vai experimentar o gostinho de ter servido a sua pátria.
Jéssica Porto 3C

leticia machado disse...

Em minha opinião todos temos o direito de escolha, afinal temos o livre arbítrio.
O jovem não gosta nem de ouvir falar no serviço militar, porque já sabe que será obrigado a prestá-lo, se for facultativo concerteza o jovem terá mais vontade de ter esta experiência e escolher se quer continuar ou não.
Se virar facultativo claro que terão muitos jovens que não se alistará, mas também haverá muito mais com o desejo de seguir carreira militar, pois o Brasil acima de tudo é um país democrático.
LETICIA MACHADO 3C

Felipe Dutra disse...

Em minha opinião, que não deveria ser obrigatório para todos os jovens servirem, muitas vezes a pessoas esta trabalhando e até muitas vezes ajudando em casa e tem que largar tudo por causa que obrigado a servir.
Deveria servir só quem qué, até porque se a pessoa esta la contra a sua vontade, não vai exercer o seu melhor.Pegando só os que querem servir e que estão motivados a isso será muito melhor até para eles mesmos.
Eles poderiam ter um numero estipulado do minimo de pessoas que teria que ter para servir, dai se não completasse esse numero, ai sim poderia pegar mais alguem.Mas as vezes os que querem o podem servir, eles não pegam, e os que não querem e por algum motivo não pode, eles pegam.

Felipe Dutra 2G

Bruno jachson mendes disse...

eu sou de acordo com a obrigatoriedade da carreira militar pois só assim os jovens não ficaram com tempo de entrar para o crime ou na bandidagem , mas descordo da humilhação que e jovem em processo de alistamento militar e submetido
pois os soldados mais antigos ficam se divertindo as custados dos mais novos e isso não esta certo



BRUNO MENDES 2° G

Kalvin disse...

Eu sou contra a obrigatoriedade do alistamento militar, para mim isso é um absurdo e me lembra a sensura enfim, o dever de ficar quieto sem espor sua opinião, acho isso um absurdo, como pode um país que fala tanto em querer ser um país de primeiro mundo, conviver com isso tantos anos, e ainda estar debatendo si é certo ou errado o que acontece aqui. É mais absurdo porque ainda pensam, isso não era nem pra pensar era pra ser descartado na hora, sem votação, sem debate, sem nada...
Eu penso que para ter um exército forte, é preciso ter homens que realmente querem estar ali, e não sendo obrigados aquilo.

RENATA BRITTO disse...

Acho que devemos escolher ,se queremos servir ou não pois acho horrivel ser forçado a fazer algo que não queres fazer.Acho que para termos um exército bom ,temos que ter pessoas que gostem da profissão,por que se não ,não adianta nada.Quando ainda não somos independentes ou até quando somos,somos forçados há fazer coisas que não queremos.Mas com certeza há vários candidatos que querem muito servir o exército então deveria haver uma seleção e algum certo numero para que se alistassem pois o brasil é muito democrático claro que o salário não encentiva nem um pouco,por que o trabalho dos recrutas pede muito esforço.


RENATA BRITTO 2G

claitonjeske_ disse...

Eu acho que servir deveria ser uma escolha do cidadão, mas não é assim pois a escolha é feita por metas erradas, porque aqueles que não querem servir pra mim não precisa-se servir só servisse aquele que queria. Todos devem fazer suas escolhas não é só porque se mora em um país que ele pode ti obrigar a servir ele, pois serviremos para que? apenas para lutar em guerras e mais guerras feitas por pessoas que são governante do país, e na hora da guerra onde estão eles. Eles obrigam os soldados que la no inicio não queriam servir lutar por ele que começou a guerra, e ele se esconde até tudo terminar. Por isso acho injusto obrigatoriedade do serviço militar.

claiton jeske 2ºG

emerson santos disse...

eu acho que a escolha é do povo pois servir, e não ajudar o país tinham que servir só aqueles que querem mesmo, nao pode ser obrigado a ludar com o serviço militar...

luciana souza da costa disse...

Concordo que o alistamento deva ser facultativo.
Acho que ninguém deve ser obrigado a se alistar, até por que se forem obrigados a servir, irão servir de pouca vontade, ou até atrapalhar os outros, e terão um péssimo rendimento e provavelmente serão punidos.
Acho que ninguém deve ser obrigado. Cada um deve se alistar por livre e espontânea vontade. E outra que não vai ser por causa do fim da obrigação que ira diminuir tanto assim o número de alistados ao quartel.
Luciana da costa 2°f

mariza barboza disse...

Acho que tudo que é obrigatório não é bom, creio que deveria ser algo espontâneo, pois cada um escolheria o que melhor lhe convém de acordo com sua opção.
O jovem deve ter o direito de escolher servir ou não no exército, assim como ele tem o direito de escolher a sua própria profissão. Exigir que o jovem sirva o Exercito demonstra o quão longe de ser uma democracia o Brasil está. Em uma democracia todos têm o direito de escolher o seu próprio destino sem a interferência do Estado.

Mariza Barboza

Stephanie Prietsch disse...

Bom, na minha opinião não deveria ser obrigatória até certo ponto. Tem muitos rapazes, que são obrigados a largar serviço, que as vezes é daquele dinheiro que sai a comida para colocar dentro de casa, outros que já estão cursando uma faculdade, que já tem uma meta na vida, não deveriam ser obrigados a servir!
Mas, acho que aqueles que não fazem nada, que são uns 'filhinhos de papai' deveriam servir, amadurecer, e ve que a vida não é fácil. Até mesmo, para pensar o que querem para o seu próprio futuro!

Stephanie Leitzke Prietsch. 2ºG

bruno alves disse...

Eu acho que é uma chance para quem não que encarar os estudos e sim engaja nua carreira de ser um militar e fazer sua vida no futuro.Mas tem muitas pessoa que não gostam por que pretende investir nos estudos e isso acaba os atrasando nos estudos.


Bruno Fagundes 2°G

Anônimo disse...

Mas nao concordo com os criterios que usam na hora do alistamento, acho que que os recrutas deveriam ser selecionados pelo modo facultativo, caso esse numero nao fosse o suficiente usariam da obrigatoriedade levando em conta outros aspectos. Pra muitas pesssoas o serviço militar é uma oportunidade enquanto para outros vai ser um atraso.
priscila lemos 3ºc

Rafael Lanzetta P. disse...

Isso pode ser um começo de vida pra uns, mas pode atrapalhar outros que desejam estudar e ajuda aqueles que nem emprego tinham.
Não deveria ser obrigado, assim só entrariam quem realmente quer servir a nação brasileira.

Rafael Lanzetta P. 3°C

samantha disse...

samantha 2f
Eu acho que o serviço militar deve continuar sendo obrigatório,pois os jovens não ficariam mais nas ruas usando drogas ou até mesmo deixando os estudos de lado.Por outro lado tem jovens que pretende seguir carreira como:médicos,mecanicos,engenheiro etc;entretanto concordaria de ser uma opção facultativa.

will torres 2° g noturno disse...

Eu acho que seria bom se fosse obrigatoria para as pessoas que não trabalham.
Além do mais elas não teriam tempo para entrar no crime.
Mas discordo para aquela pessoas que tem trabalho fixo e ajudam em casa para sustenter a familia..essa é a minha opnião
willliam i. torres 2° da noite

jean disse...

o serviço militar deveria ser opcional, porque quando chega a época de alistar, o jovens ja ficam com medo e temem ter de ser vir, se fosse opcional o jovens teriam curiosidade de se alistar e servir. Assim não teriam tanto medo, como tem.

Jean 2 F

ALISON disse...

Alison 2f
Eu acho que os jovens deveriam ter o direito de fazer suas próprias escolhas já que isso só cabe a ele ,porém eles teriam que compreender que o serviço militar é uma ótima oportunidade de se desenvolver futuramente.

dione disse...

Eu sou contra a obrigatoriedade do alistamento militar,porque muitos vão se alistar por obrigação e medo de levar uma multa,tinha que ser so para quem quizer servir.Você perdi um ano de sua vida servindo o exercito brasileiro e as vezes te mandam para outra cidade que vc nem conhece e fica sem noticias de seus familiares por semanas.
dione 3C